JORGE JESUS: COMO A VIDA DÁ MUITAS VOLTAS

share on:

Sabendo da amizade de longo prazo entre Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus, mesmo tendo em conta o que se passou depois da sua saída, o regresso estava sempre em cima da mesa. Para os adeptos do Benfica, essa possibilidade torna se numa mistura de emoções, enquanto que o Presidente do Benfica tenta jogar esta cartada para lhe estabilizar a candidatura.

Traição será o melhor sentimento que possa descrever uma metade dos adeptos do Benfica neste momento. Enquanto que do outro lado, encontram se os que estão em delírio relembrando o tipo de futebol que o Benfica praticava com o técnico Português.

Um futebol sufocante, onde se pressionava bem alto, organização defensiva, e cada movimento ofensiva tinha a sua razão. Claro, também tivemos desilusões pelo caminho, mas com isso esperamos que Jorge Jesus tenha aprendido.

Se quando saísse ele não tivesse ido para o nosso rival, certamente o sentimento do seu regresso tivesse sido mais aceite pela maioria.

Pior ainda foi o facto de LFV dizer que Jorge Jesus não tinha capacidades para um Benfica Europeu, e que não tinha a visão necessária para desenvolver os jogadores no Seixal.

Desde que saiu, e principalmente enquanto treinador do Sporting, ele não só desrespeitou Rui Vitória na altura, mas também desrespeitou o Sport Lisboa e Benfica. E com razão, por essa mesma causa, muitos adeptos não vêm com bons olhos o seu regresso.

Enquanto que ele saltava no relvado ao lado de BdC, o ódio por ele crescia com cada palavra e disparate que saia da sua boca. Independente de ir para o nosso vizinho, ele decidiu juntar se a uma pessoa que ia à frente do grupo que tentava destruir o Benfica.

Mas, vamos virar as atenções para o mais importante, e para a realidade.

Eu fui dos que não queria o seu regresso.

Achei que o Benfica precisava de sangue novo, alguém que pudesse apresentar novas ideias, fazer uma revolução no balneário, e também dentro das quatro linhas.

Se fosse minha escolha, teria optado por alguém como Marcelo Gallardo. Tem uma personalidade forte, taticamente percebe, e nota se que é exigente.

Mas, o quanto mais eu penso no momento atual que o Benfica atravessa, pode ser que não haja melhor escolha para por ordem no futebol do Benfica, pelo menos com mudanças mais imediatas.

Tendo perdido o campeonato desastrosamente, e com as eleições à porta, nem o Benfica, nem o LFV têm tempo para um treinador que precise de tempo para adaptação.

O futebol em Portugal joga se muito fora das quatro linhas, e tendo alguém que conheça bem essa parte do jogo é fundamental hoje em dia no nosso futebol.

O Benfica hoje tem melhores capacidades a todos os níveis do que quando Jorge Jesus lá esteve da primeira vez. Ele agora chega mais experiente, mais maduro, e depois de ter levado uma chapadas em Alcochete, até pode chegar com mais motivação.

Pode não ser a escolha de todos, e pelas palavras dele e também do Presidente ao longo dos anos podem criticar o seu regresso, mas lembrem se do mais importante – Sport Lisboa e Benfica.

Jorge Jesus errou, LFV errou, e como a vida dá muitas voltas, aqui estamos.

Temos de volta o técnico mais titulado do Benfica, agora resta nos apoiar. O nosso descontentamento não vai mudar nada. Se tivemos capacidade para apoiar técnicos como Fernando Santos e Jesualdo Ferreira que representaram o clube da fruta, porque é que não podemos agora apoiar Jorge Jesus?

Vamos esperar para ver no que isto dá, mas reparem numa coisa – esta contratação já agitou muita coisa no nosso futebol, e ele ainda nem foi apresentado. Percebam uma coisa, o Benfica neste momento precisa mais de Jorge Jesus do que Jorge Jesus precisa do Benfica simplesmente pela situação em que se encontram. Mas também não vamos ignorar o facto de que os nossos rivais neste momento certo preferiam outra solução do que esta.

Para os que não concordam com a decisão, se são adeptos verdadeiros, apoiam os interesses do Benfica, e esses interesses são os de vencer.

share on:
Michael Gonçalves

Michael Gonçalves

Desde miúdo que o Benfica faz parte da minha vida. Sou Luso-Americano, mas tenho o coração em Portugal. Enquanto que o sonho de ser jogador profissional não deu certo, agora tento transmitir as minhas ideias e a minha paixão pelo Benfica em palavras. Na vida pode se trocar de mulher, mas nunca se troca de clube!